Transporte de Qualidade para o Centro-Oeste
O prejuízo provocado pelos roubos de carga cresceu no ano passado, e 90% dos assaltos são feitos agora na capital.
Guarita blindada, muros altos com cerca elétrica e câmeras monitoradas
24 horas por dia. O forte esquema de proteção se assemelha a um
presídio de segurança máxima, mas no prédio em questão funciona apenas
uma transportadora.
O gerente da empresa, Carlos Mira, explica que investir em segurança
encarece o serviço, mas não há como trabalhar sem se proteger. ?Nos
preocupamos mais com a segurança do que com a velocidade da mercadoria
que poderíamos dar para os comerciantes, por exemplo?, afirma.
O medo das empresas e dos caminhoneiros que trabalham nas estradas se
justifica nos números. Segundo o Sindicato das Empresas de Transporte,
no ano passado foram registrados em São Paulo mais de seis mil roubos
de carga, a maioria deles durante o dia e quase 90% na capital.
Os caminhoneiros são abordados geralmente em áreas onde é preciso
reduzir a velocidade. O bairro Vila Maria, na zona norte, próximo à Via
Dutra, é o campeão dos roubos de cargas. A PM chegou a reforçar o
policiamento na região, mas o especialista em segurança Paulo Roberto
de Souza conta que a ação da polícia mudou a estratégia dos ladrões.
?Quando ele percebe a presença policial, procura outro lugar para
?trabalhar?. Por isso que nós tivemos roubos, há uns anos, concentrados
na zona norte; depois, nos últimos três ou quatro anos, na zona leste;
e agora, nos últimos dois anos, está se configurando uma maior
incidência na zona sul?, explica.
Os remédios e os produtos eletrônicos são as mercadorias mais visadas
pelos bandidos. No ano passado, em todo o Estado de São Paulo, o
prejuízo provocado pelo roubo de cargas cresceu 13% em relação a 2007.
Segundo as empresas, foram perdidos mais de R$ 200 milhões em
mercadorias.
Severino é caminhoneiro e conhece bem a insegurança de trabalhar nas
estradas. ?Quando você menos espera, até embaixo de posto mesmo, eles
chegam, botam a arma em cima, tiram o carro do posto e levam a carga. A
gente arrisca perder a vida?, diz.
O Departamento de Investigações sobre o crime organizado informou que
realiza um trabalho permanente de combate às quadrilhas que roubam as
cargas e que, no ano passado, prendeu os principais receptadores do
Estado.